Hérnia de disco dói?

Alterações degenerativas são comumente encontradas em exames complementares da coluna vertebral, como a ressonância magnética, por exemplo. A hérnia de disco é uma dessas alterações, mas o que nem todo mundo sabe é que nem sempre a dor nas costas está associada ao que aparece nos exames.
Uma Revisão Sistemática (investigação científica que reúne estudos relevantes sobre um tema) publicada em 2015, concluiu que “Os achados de imagem de degeneração da coluna estão presentes em altas proporções de indivíduos assintomáticos” (ou seja, sem dor alguma).

“Muitas características degenerativas baseadas em imagem são provavelmente parte do envelhecimento normal e não estão associadas à dor. Esses achados de imagem devem ser interpretados no contexto da condição clínica do paciente”.

Na prática clínica não é incomum encontrarmos pacientes que referem muita dor e não apresentam grandes alterações nos exames, ou que referem dor leve e apresentam alterações importantes nos exames, ou ainda, aqueles que referem muita dor, apresentam alterações significativas nos exames, sofrem cirurgia para correção e, pasmem: continuam sofrendo como antes da cirurgia.
O que o estudo citado deixa de principal mensagem é que os achados em exames de imagem, como as hérnias de disco, são parte do envelhecimento normal, sem obrigatoriedade de associação com dor.
Veja os resultados desta revisão sistemática:
Foram analisados 33 artigos relatando achados de imagem para um total de 3110 indivíduos assintomáticos.
Note que a degeneração do disco intervertebral esteve presente em mais de 50% dos indivíduos com 30 anos de idade. A mesma situação foi encontrada em 80% dos indivíduos com 50 anos de idade e 96% dos que tinham 80 anos. Lembrando que nenhum deles tinha dor (assintomáticos).
A dor é algo bem maior do que o que vemos nos exames. Daí a importância de ter ao seu lado profissionais atualizados, com visão multidisciplinar e que conheçam o modelo biopsicossocial de atendimento ao paciente… que será o tema de nosso próximo post.
Fica a dica!

Fonte: AJNR Am J Neuroradiol. 2015 April;
36(4): 811-816. doi: 10.3174/ajnr.A4173.