A fisioterapia ortopédica de hoje não é a mesma de ontem!

A Fisioterapia acaba de completar 50 anos de regulamentação no Brasil. Sendo assim, tão novinha, trata-se de uma profissão em franca evolução e desenvolvimento.
Ao contrário do que se vê em diversas outras profissões, o fisioterapeuta está longe de ser ameaçado pela tecnologia como substituta. O entendimento das diversas áreas da saúde sobre a importância de avaliar o paciente como um todo, ao invés de partes, vem confirmando a necessidade de uma interação de humano para humano. Ainda que por teleconferência, como já vem acontecendo na chamada telemedicina, por exemplo.
Os serviços de Fisioterapia ortopédica mais antigos tinham a característica comum de boxes individuais, onde o paciente deitava e recebia terapias elétricas ou térmicas, ou ainda uma combinação das duas, de forma passiva. Os exercícios costumavam ser oferecidos apenas quando a dor estivesse completamente resolvida, o que acabava por retardar o uso desse recurso tão importante.
Com o surgimento cada vez mais expressivo de estudos mostrando a ineficiência das terapias passivas e a tendência de melhora da dor e da incapacidade através dos exercícios, o layout das clínicas vem mudando. Onde havia boxes individuais, com cortinas ou biombos, agora vemos espaços abertos, com diversos materiais para motivar o paciente a movimentar-se. Bolas, rolos, pesos, tábuas de equilíbrio e camas elásticas tomaram o espaço. Os aparelhos de eletrotermofototerapia ainda têm sua importância, mas bem mais delimitada e objetiva.
O modelo mais antigo permitia que as clínicas atendessem muitos pacientes ao mesmo tempo, todos deitados e quietos, com os aparelhos ligados e os reloginhos controlando tudo. Atualmente, os pacientes estão cada vez mais migrando para consultórios ou espaços de terapia ativa, individual e personalizada, pois já desistiram da passividade e querem mais contato humano em sua reabilitação.
E quanto aos tratamentos em grupo? A meu ver, são muito bem-vindos, desde que o paciente tenha sido preparado individualmente para integrá-los. É importante um mínimo de consciência corporal para que os exercícios exijam uma supervisão um pouco menor, o que acontece quando o terapeuta precisa orientar mais de um paciente por vez. Além disso, nem todo mundo tem perfil adequado para ser atendido em grupo. Essa análise não é simples, pois depende do quadro clínico, da consciência corporal, do perfil psicológico e cultural, etc.
Enfim, a Fisioterapia de hoje não é mais a mesma. Os fisioterapeutas, também não (mas isso é assunto pra outro dia….).
Que tenhamos cada vez mais “movimento” e menos passividade nas clínicas de Fisioterapia.
Que a reabilitação tenha cada vez mais AÇÃO!